quinta-feira, 20 de maio de 2010

A sombra


Sei que tens em ti, Ana
uma marca que
a paixão desenhou
quando amar foi
sentido e descoberta
naquele que te amou de fato
Sei que tens, Ana
Um mistério e uma sombra
que repousa no âmago
de teu desejo escondido
sei que tens algo
que as outra mulheres não tem
e que, por ser teu
te faz ser desejada.
Mas, Ana...não te escondas tanto
porque até a sobra
mostra quem é sua dona.
Não retenhas teu pejo
é mais sublime um belo quadro misterioso
que o mais belo segredo oculto

Redentor

Olhando-te é possível dizer que até
- e isso é apenas uma impressão -
que te pareces com o Cristo...
que se crucifica pelas igrejas vazias

É possível ver em teu olhar vítreo
um tant de calma sombria, calada
quenão se mexe nem se emociona
apenas nos olha deísticamente...

como o Cristo que se crucifica nas
portas de todas as igrejas banalizadas
que não é mais que a mera estátua
de um homem condenado a morte

mas que pra tantos significa tanto!
Talvez olhando mais de perto teu rosto
que não quer expressar coisa alguma
eu perceba em ti a paz tão falado

e que as pessoas diem que transmites.
Mas por um momento algo me diz
que esse Cristo que eu examino não é
o que eu estou aqui a procurar

Então eu paro e te vejo atentamente...
Serias tu tão humano ao ponto de estar
tão simplesmente ao meu alcance?
Divino ao ponto de seres Deus alcançado?

Não.Tu não és tão pequeno assim!
Então... como eu continuo a ver-te?
Será que esse Cristo morto é uma
parte da infinita forma de tua face?

Algo em teu olhar me diz que talvez,
e isso muito vagamente, o sejas de fato
Não morto porque isso é recrucificar-te
mas sereno: porque a vida e a morte

pra ti são águas que se vão longe
- ou talvez tu as atravessaste com
o tempo que dizem que te pertence -
mas tu ficste sólido como uma rocha

Tentando prestar atenção eu procuro
me identificar nas dores que deixaram
teu rosto antes sereno, porém jovial
neste estado pétreo, rígido, agonizado

no qual nenhua beleza vemos para
que venhamos a te desejar. Quero buscar
de verdade, misticamente, o que em mim
há que me faz pensar tão subitamente

a tua forma estranha de nos amar assim
Procuro um sorriso: não acho. Um afago
também não existe. Consolo...tu mesmo jazes
na tua tortura por mim...por mim!

De repente paro e olho em teu olhar morto
Ele não diz nada - por mim - não mexe
Olho tuas mãos. O sangue ja parou de
correr há muito tempo, mas a ferida

parece que continua aberta - por mim -
Seu sangue morto está em silêncio...
como que esperando algo que não sei
Eu olho e não sei se essa é a razão de tu

estares eternamente crucificado e morto
talvez essa parte de ti sea uma eterna
e incansável espera... de ti mesmo
em aquele que quer ter-te vivo dentro de si

para que tu possas descer dessa cruz e ser
tu na maneira primitiva de outrora,
não esse ser agonizante, mas um homem
humanamente Deus ao nosso alcance

Mas agora eu vejo que o padre vai fechar
as portas da igreja e vais ficar
na escuridão esperando, morto até que
a ferida se abra no coração de alguém

Até lá tu permanecerás vítreo, pétreo e morto
de braços cravados e com o sangue parado
no sepulcral silêncio do teu jesto redentor
Tiago da Silva

Marcada pelo tempo ou Retrato da velha senhora


Ela tem em seus traços
a marca feita a golpes leves
que não se sentiram bruscamente
mas só depois de muito
é que se viu seu efeito

Seu rosto agora parece impassível
guardado dentro de um espaço
que vem e ja se perde, ou se foi
quando as luzes tocaram em sua face.
Parece ser vivo, mas na verdade
isso tudo é apenas uma imagem

Seu rosto parece não ser mais o mesmo
que nas áureas esquinas de outrora
era símbolo de ternura e graça;
que as marcas do tempo foram remodelando,
mas eis que agora permanecerá eterno
mesmo que eterno não seja o momento
nem nada que se construa aqui na terra.

Seus olhos possa ser que briilhassem,
sua boca possa ser que sorrira após a foto,
mas a sua expressão austera é que ficará.
Por que? Por que trocar um jesto por outro?
São as marcas do tempo algo assim tão trágico?:
Possa a foto dizer por si só ou a vida responder-nos

Talvez seja esse o limite trágico da vida
posto que tudo sempre passa, outras coisas ficam.
Aquela fotgrafia há de ficar pendurada
atá que a própria maquina do tempo
deixe nela as marcas que tentaram se eternizar,
na memória feita de arte...mas isso é filosofar demais

sábado, 15 de maio de 2010

Aquarela


Aquarela

Sei que ja vais muito longe
pra onde talvez não sei...
Nada mais tu queres de mim
nem das carícias que te dei

Preferes ir-te distante
onde meus olhos não mais te vejam
que entregar-te sem receio
teu coração a outro alguém

Sei que não me amas,
perdoo sem mágoa tudo
que me fizestes agora
mas não me pessas perdão

Pinta na perede um quadro
de uma mulher triste a sonhar
olhando para o destino
sem um verso pra cantar

Pois que eu sigo meu rumo
tantos caminhos a tomar
posto que foste meu destino
e que não está mais cá

Eu serei o quadro triste
que tu esquecerás de pintar
mas que nas paredes da memória
terá sempre seu lugar

Talvez pra não te esquecer ao todo
como uma cicatriz que vai ficar
grudada sempre na pele...
Marca que vem e não sai

Sophya Aurora

Banhada de Luz



Banhada de luz

Banhada de luz, como a aurora,
tenho em meus lábios o frescor d'alva
e na pele rósea o calor e a candura
de que necessitas pra ser só meu

Tenho a dar-te um brilho amante
elementar, passivo e único...
tal qual é o desejo que nos move
que é o que necessitas pra ser só meu

Tenho nos olhos um olhar sereno
Um olhar de Aurora que te envolve
e tez querer acordar sempre comigo
tal qual necessitas pra ser só meu

E ainda mais, tenho a surpresa
de um despertar profundo, ativo
Um desejo novo de viver contigo sempre
que é o que te faz querer ser só meu

Tal qual a auro que se levanta
quero te acordar toda manhã do sono
e dos sonhos que te roubam um instante
da realidade que necessitas pra ser só meu

Para juntos brilhar intensamente
sem o pejo ou mistério da noite...
mas abertamente amantes
como tem que ser pra seres só meu

Sophya Aurora

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sei que vens



Sei que vens
mas não demores
que a saudade fica
batendo forte
no peito que sabe
que tu bem vens
a confortar-me.

Sei que vens
mas, oh não tardes
que o coração alarde
a falta tua, meu bem.
Não fiques tanto
deixarás tu esperando
o encanto que
tenho a oferecer-te?

Sei que vens, é certo,
mas não demores
por que ja brotam as dores
que tua falta me dá,
das carícias almejadas
e dos beijos doces teus
nas noites em que estás
comigo a te deitar...

Sei que vens, querido
mas volta logo,
tão logo quanto puderes
sentir a falta do meu corpo
que quer estar contigo
o tempo todo grudado
matando essa saudade
olho a olho, corpo a corpo

Sei que vens
e eu te espero
beijando tua foto
e pedindo a Deus
que não demores.

Sônia

Até pareces ser menina
mas tem um quê de pecado
no entando, Sônia
isso te torna mais divina
no que se tem de ser louvado
Nesse teu calor feminino
com que fazes valer
a poesia do teus olhos
e o desejo de teu corpo.
Na tua forma de menina

terça-feira, 11 de maio de 2010

Clarisse


Lembras quando te disse, Clarisse,
que eras mais bela que todas as outras?
Lembras do olhar que me destes
ao afagar-te os cabelos
olhar-te nos olhos e cortejar-te?
Lembras, Clarisse, tu lembras?

Lembras que te disse que eras eterna
da vozinha materna sempre a me ninar?
Se te lembras, Clarisse, se te lembras bem,
repitamos tudo de novo esta noite
Repitamos mais ardente
enquanto a manhã não vem.


Joana


Os olhos de Joana
são dois espectros
de luz irradiante
ao qual não podemos
fitar demoradamente
São duas lâmpadas
a brilhar no claro
de sua pele alva
e duas fontes de ternura
quando não é a tristeza
que se manifesta clara
Os olhos de Joana brilham
no espaço interno de menina
moça talvez na forma
mas não se sabe na alma
Os olhos de Joana
são mistério

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A estrada


A estrada é infinita
até onde vai o olhar

Se queremos percorre-la
é melhor ir devagar

cada qual sabe a distância
e até onde quer chegar

e o ponto de partida
é onde se começa a sonhar

Ventos passados


Não esperes mais tanto, Thereza
Não esperes voltar
Não esperes ser minha
Também não queiras chorar
Queiras ser só livre
Livre como o pássaro a voar
Que ventos passados
não acariciam mais

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Intensidade do corpo num só olhar


Sei que quando a boca treme
e o coração dispara e os olhos vêem
a marca de baton nos lábios
E o desejo aflora vicioso, viscoso.
E os corpos se unem em cópula
gerando a vida dentro do outro
Vêm então a vida e faz surgir
um novo amenhecer e mais
um motivo pra voltar a amar

Dancing Nights


Se quiseres vir, acompanha-me
mas se quiseres ficar não demores tanto
Às vezes a noite nos oferece um encanto
Mas se quiseres esquecer, desama-me

Se quiseres sonhar, então não durmas
se quiseres delirar, abandona o pejo
Se quiseres brilhar, cá está o lampejo
Se te queres cansar, então sou mais uma

Pra que me enfeitiças-te quando podias
e depois desfizeste-te de todas as melodias
que juntos dançamos na noite sem fim?

Para onde vais logo depois da festa?
Para algum lugar que o desejo manifesta
a sede dos beijos que querias ter de mim?

Se tens olhos, Ana Thereza, por que não olhas pra mim?


São efêmeros os versos que se escrevam
quando Ana Thereza os despreza a todos
Também são vulgares as melodias feitas
se ela as rejeitar como rejeita-se um dote
São da mesma forma fúteis os galanteios
e estéreis todas as formas de s'expressar
Se Ana Thereza não presta atenção neles.

Oh, Ana Thereza, se tu tens olhos a ver
Por que não olhas para mim?

Era uma vez uma casa

Era uma vez uma casa
em ruínas, mas era uma casa!
Ninguém mais morava nela
mas ainda assim ela existia
como a lembrança esquecida
das famílias que nela habitaram;
com a sensação de lar doce lar
que repousava em suas paredes
e com o brilho decadente
dos cômodos caindo aos pedaços

Era uma vez uma casa
que existia na planície brasileira,
havia também uma mulher outrora
talvez um filho e filha, quiçá
Havia sem dúvida um homem
-Se eram felizes ou não, não convém ao caso-
que fazia seus afazeres at´não poder mais
Depois disso os seus o acompanharam
Até todos irem embora
E a casa ficar... e depois?

Pra onde irá a casa?