sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Samba magoadinho

Dizes tu, Elisa,
que samba
eu não sei fazer.
Que acadêmica soa
a batida
do meu balancê.

Dizes que não
te embala o meu cantar,
que como ondas
não soam, nem ar
de praia, litoral
onde os sonhos
te levam aos braços
da mãe Iemanjá.

Mas que queres, Elisa?
Como poderia
tua doçura, teu encanto
em pobres linhas?
Se só tu já es samba
e és avenida
onde meus sonhos
irão desfilar?

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Amor - Série sentimentos

Uma casa tão pequena
que cabe dentro do peito,
mas é como se coubesse
dentro dela o mundo inteiro.

Uma caixa que não se abre
seja em portas, maçanetas,
mas é como se em asas
voássemos sobre a terra.

É em nós, mas sem ser nosso,
é um só, mas em dois seres...
ou em três ou até em mais.
mas onde as dimensões dele

aloquem dentro da casa
os muitos e vários entes
que sendo vastos e vários
podem caber em um peito.

Por que canta a lavandeira?

Ela seria uma santa,
mas se chama Elisa,
conheci-a certa noite
á beira de um rio
a torcer os panos
de seus dois filhos.
Não era mulher solteira
apenas perdera o marido.
Cantava uma cantiga
das que cantam os antigos
com os cabelos a voar
no balanço dos alíseos.

"Que queres, forasteiro,
que tens o olhar perdido?"
"Olho a barca que ao longe
vai descendo pelo rio"
"Rumo ao mar, rumo ao mar,
meu amor, irei contigo"
"Por que cantaste, tu de cá"
Perguntei-lhe constrangido.
" É pra lavar a roupa bem,
se o canto sai amigo,
as mãos que lavam, dançam,
fazendo amor aos tecidos,
que o sol secará, secará,
pra que eles vistam meus filhos."

Então eu cantei...

Lava, lava pobre Elisa...
as mãos de mãe que tanto amam
o quê dos filhos nos tecidos.