terça-feira, 2 de abril de 2013

Bem te vi atrevido


Bem te quero, bem-te-vi,
que bem cedo vens aqui...
a cantar na janelinha
o teu canto bem assim...

"Bem te vi naquela hora
em que estavas a brincar
de boneca, pula corda
bem que eu quis também pular..."

Bem-te-vi, que atrevido...
não me podes espiar,
Bem te digo, pra teu bem
abre o bico e vai voar

que bem te vi escondidinho
com vontade de pular
de cordinha amarelinha
no jardim do meu quintal.

Tempo antigo


Eu era moça
e tu o galã,
dileta, formosa,
triste canção...

que cantaste
em lágrimas
por culpa ou,
só indignação

O tempo uniu
a dor separou
a nota tendida
finalmente cessou.

Eras pra mim
o verso antigo.
Eu era pra ti
o canto sem voz.

O canto roído
foi, enfim,
esquecido
sem compaixão.

Poema nu


Solidão é nudez
para o corpo
que pede companhia.
Por isso não julgues
a nudez em meus escrito.
Estão nus porque traduzem
a solidão de meu espírito,
entregam-se aos olhos
dos leitores deste sítio.

Não os reproves
nem os cobices
em tua luxúria
de saciar teu ego

é uma nudez triste
é agredida.

Uma nudez que compartilha
do frio, do calor,
da pena, da labuta.

Uma nudez que não é santa,
tampouco é puta...

é só nudez,
minha nudez

nada mais.