terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Vida de mulher!


Oh, casa arrumada!
Oh, casinha, Meu Deus!
Pega a vassoura e rodo
porque de noite tu vem!

Eh, casinha, casinha,
lava enxuga a louça...
Arruma banheiro, quarto
quintal, cozinha, terraço
porque de noite, amor vem!

Deixa a comida pronta, Sophya!
O feijão na panela,
arroz na vasilha,
a salada na mesa!
Que de noite, mor vem!

Tem carne? Tem!
Tem suco? Tem!
Sobremesa? Não deu tempo!

Corre, corre te apressa!
que de noite, amor vem
e a casa tá uma bagunça...
uma bagunça da mulesta!

A lágrima e eu

Cai a lágrima...
tão triste por nós
sozinha, abandonada
mas ainda pura...
E eu, que há muito
não sou mais pura
vejo que pra ela
ainda há uma direção

Ela cai sozinha
mas antes acaricia meu rosto
leva consigo
uma parte de mim
-Tua lembrança-
Depois se despede
e cai...pra sempre
pois cristais quebrados
não colam jamais...

Até quando essa dor, meu Deus?

Pronta para amar!


Quem não dirá que sou livre?
quem quebrará as asas de meu sonho?
Quem vai me prender em grades
por saber que eu posso voar,
me embriagar no mar de tua paixão?

Quem cortará meu braços
para que te não abrace?
Quem conterá meus lábios
para que te não beije...?
Quem conterá meu corpo
em um invólucro de cristal?

Afinal de contas, eu tô completa!
Tô de boa... Feliz da vida
porque eu tenho a ti...
posso curtir a vida adoidado,
porque eu sei que riremos
das mesmas piadas repetidas,
Posso não ser tão perfeitinha
porque tu me amas
e achas engraçado quando pago mico
e ainda ris quando to com raiva.
Eu já sei, dizes que fico bonita.

Eu te encontrei!
Mal acredito que te encontrei!
Te encontrei, meu amor!
Finalmente te encontrei!

Enfim, tô feliz!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Conversinha


Não repares se
na leveza do corpo
eu flutuar...

é só paixão!

Repara somente
se eu cair,
e fores tu
a primeira pessoa
a quem eu abrace!

Aí sim, é amor!

Porque ser tua
na cama apenas,
é muito fácil!
Difícil é ser tua
por dentro,
mais que por fora!

No íntimo...

mas eu sei
que tu me crês!
Vejo bem isso
no sorriso
que abres
quando escutas
tudo que te digo.

Então escuta
atentamente...

(aproximo a boca ao teu ouvido
e acaricio tua barriga lentamente)

Como queres
que te pertença
agora?

Eu sabia que dançavas!


Eu bem sabia que tinhas a dança
quando em pose sorrias na varanda
quando em gestos esperavas uma rosa...
Rosinha, eu sabia que bailavas.

Com a mesma leveza com que sentias
o frio no degrau das escadas,
quando tremendo ao vento te aquecias,
tuas mãos ágeis já compassavam.

E compassavam, Rosinha, com o corpo
que aos poucos, todo se enlaçava,
em vultos de ardentes carícias
sobre as camas de lençóis de holanda.

Eu sabia, Rosinha, eu sabia que dançavas!

Bom dia, Carolina!


Querida, não te amues!
Se te quedas convencida
bem mais presto vem a lida
ao orgulho que possues...

Não te apegues entretida
aos vazios da varanda
que parecem tão esquecidas
por quem sozinha as anda.

Bem ao longe, muito longe
vêm-se barcos no horizonte
por contempla-os e esquece

essa tua ira que estremece.
Deixa de frieza e sorri
e verás como és feliz!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Canto sobre as águas


Meu olhar como em fotografia
percorre a água que desenha
o nu de teu corpo...
Corre a quimera que anseia
pelo saber profundo
de teu gosto!

A água desenha os seios
que dão-se ao paladar
de quem busca seus contornos,
presto desce acariciando
o veludo de tuas coxas.

A água que te desenha
de forma alguma nos afoba,
pois que desenha no regaço
a fonte exata de teu gozo.
Oceano que se remove
movendo-se em muitas ondas.

As palavras que tu dizes
nos gemidos de tua boca,
na fotografia não revelam
o teu ardor de moça...
São silenciados pelo preto
e o branco de luz fosca.
Mas eu bem sei quem és
quando insaciável te alvoroças,
és como a água de um rio
que embala e nos transporta
aos contos e aos romances
que nossas avós nos contam.

A rosa desfolhada

Sei que não sou uma rosa,
não sou um lírio dos vales
nem sou formosa ao ponto
de macieira entre árvores.
Sou antes a flor murchinha
pelos invernos do passado,
não me deito em sombra alguma,
até os verões me desfolharam!

Se não sou a rosa de Sarón,
quem esperaria que me amasse?
Quem que viria sobre outeiros
pulando e me resgatasse?
Quem ao longe, mui longe
soaria a trombeta, clarins de prata?

Meu amado perdeu-se na guerra
nas pradarias de Moabe,
trazia no peito o bronze
enferrujado de uma espada
e nos olhos que eu vi tão belos
a marca gélida de uma lágrima.

Sei que o Eterno acolhe
as viúvas desamparadas
que sem culpa dos labores
que gastam na mocidade
pranteiam os maridos e filhos
nas tumbas dos antepassados.
Cobrir-me-há com o seu véu
de justiça solidária...
não sei se me dará sorrisos
que eu tinha quando estava
junto àquele a quem eu era
como manceba que repousava
na macieira frente ao bosque
e cujo fruto me alegrava.