quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O adeus da musa.

O adeus da Musa

#Ricardo Reis ao pé do leito moribundo de Lídia escuta desta a seguinte canção:


Quando eu me cansar de ser flor
e atenta aos versos escrever ainda,
pétala após pétala, o seio desnudo
deixará secar toda a poesia.



Quando eu me cansar da beleza intata
e ainda assim soar ao longe a lira,
solo, talo, folhas cairão aos poucos
deixando secos apenas os espinhos.



Quando de mim render, suspirar a morte,
os olhos murcharem a ver campinas
grandes lagos, lapsos de uma memória
detendo adentro o que fora está se indo...



não te impressiones da flor que vês,
que entregou-te a beleza que agoniza
Não chores o verso depois da morte...
deixa em meu ocaso tua mão na minha.



Que o lago ja se foi faz tanto tempo,
não passa de imagem a antiga pradaria
os pássaros não cantam como cantavam
nem as flores são mais que mera poesia.



Deixa em paz a tua pequena
deixa em paz a doce Lídia.

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