segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Em busca do teu olhar

Recife, orla de Boa viagem. A cidade se estende como um tapete aos pés de quem a percorre, à nossa direita um mar de tantos desejos nos convida afogamento. São seis horas da noite. Sentada num dos bancos que há junto dos areais, olho a vida se mexendo como um ser vivo. Há passeios com crianças, há velhinhos caminhando, há gente lendo, outras só a conversar... E eu aqui sozinha. O vento do mar soa perene em todos os meus sentidos e eu sinto como um abraço frio das cidades litorâneas. A noite está tão serena...O mar, sem dúvida é uma benção, com suas ondas a bater nos pés de quem chega perto demais, e o furor de quem o quis navegar. Penso num beijo, logo depois vem a idéia de que poderia desfrutar dessa delícia que é a praia. Tudo aqui parece tão feliz, abro um sorriso tímido pra não ser percebida, e olho... vou olhando a vida ao meu redor. E me afogando nos meus devaneios. Como isso tudo é belo, quem dera todos olhassem o quanto é belo o silêncio da noite quando se está só. O mar, sem dúvida, esconde encantos recheados de algas e corais, mas daqui dá pra sentir o seu abraço. Penso num beijo, então, no teu. Ao sentir a falta tua minha pele se arrepiou... senti frio. Concentro-me mais um pouco e escuto algo em mim, dizendo em forma de vento, que o amar nos aproxima e quebra as distancias. Penso nos teus olhos, que são doces e serenos, como um mar calmo à noite, no teu balanço de onda que me embala, no teu beijo profundo de oceano e tua presença como o vento que me embala. Penso em tudo isso e me abraço a mim mesma, como que pra trazer a tua lembrança e teu perfume, o teu jeito de me cuidar como menina. Então me levanto, só de saber pra onde vou agora me faz feliz e o vento já não me abraça apenas me conduz pra onde eu sei que estarei abrigada. Despeço-me da beira marítima, cada degrau da escada é um convite ao amor. A porta, mesmo trancada, é como uma porta a me esperar. Toco a campainha, a porta se abre e vou abrigar-me em ti.

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