quinta-feira, 23 de maio de 2013

Navegando no São Francisco



- Não te preocupes, garoto!
Não te preocupes, meu filho.
Que as ondas do rio que vem,
as mesmas do tempo antigo,
serão as ondas que irão
estar pra sempre comigo!-

-Mas vovô, vem uma tormenta
e o rio pressente o perigo
as ondas que cá se remexem
soam como um sinal de aviso!-

- E não foi assim sempre?
Quando as águas se agitam
precisamos cautela, não medo
daquilo que não vimos ainda.
Ali na frente há uma curva
e do outro lado uma ilha,
as águas turvas nos empurram
melhor, nos embalam consigo.
Já, já avistaremos o porto
que está nas margens do rio. -

- Esta viagem é de dúvidas,
por que querer tanto perigo?
Por que não a estrada reta
sem tantas curvas no caminho?

- Porque a vida é assim mesmo.
Se não nos jogarmos aos riscos,
às flutuações e correntezas
perderemos a chegada e a saida
o durante é agora, o depois não mais.
Viver assim é muito triste!
Este rio enfrente pedras, vales...
ele cai de vez em quando, o rio
é um caminho que se refaz
todo dia ao longo do caminho.

E assim se foram o velho e o moço
navegando no São Francisco.

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