quinta-feira, 15 de março de 2012

O nu...


Se bem não me lembrasse da última vez que nos vimos,
tenho a sensação de que estás presente.
Tenho essa nuance em mim
que corre polo meu corpo
como que em corredores e salas desabitados.
Por vezes, tua memória traz em mim o teu cheiro
que me assoma como a brisa marítima
que ventila todos os espaços do aposento
e te juro que, quando te lembro,
os versos me saem tão naturais que...
não me sinto sozinha.

Por isso me dispo de todas as minhas roupas,
 visto-me das fantasias mais imorais,
imagino os beijos mais ardentes
e calculo diante do espelho a pose mais bela.
Meu corpo nu é um poema...
e é engraçado concebe-lo tão singelo.
Meu corpo nu é o tema
desenhado, esquadrinhado, idealizado
num eu lírico que se desenfreia
mas que tem consciência de suas limitações.
Mesmo assim a tua falta faz desenhar essas imagens.
Porque hoje eu não estou mais triste... estou feliz.

Eu sei que voltas, querido.

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