quarta-feira, 7 de março de 2012

As quatro estações

Se está frio, vamos esquentarnos ao fogo...
que as chamas crepitam,
e não poderiam ser mais belas,meu bem.
Um pouco de frio e os corpos se buscam,
os corpos degustam um acender-se por fricção,
os corpos debruçam-se... um no outro...
em chamas que o se acendem no coração.

....

Se as folhas caem, não deixemos de amar-nos,
que o vento leva longe toda essa mágoa e rancor,
Se estão secas as folhas, deitemo-las ao chão
como um trapo velho, desbotado
que Madalena trajava antes de ganhar o perdão.
Vistamo-nos d'esperança e esperemos o nascer do sol.
Enquanto isso, os corpos despidos vestem-se de carícias
no desfolhar-se de amores em risco.

...

Se as as flores ressurgem, meu bem, é primavera.
Não precisamos escrever um poema sobre ela,
depois do cansaço sempre vem a recompensa
de esperarmos o nascer da vida, que já está em nós.
Por isso os corpos querem, interferem, bebem
da fonte de Afrodite, desnuda, só vestida de flores.

...

Mas quando tudo for chamas, descansemos da luta,
que é preciso amar e viver em intensidade.
Quando as brasas surgirem, contemplemos somente,
e nos queimemos às vezes... pra termos uma cicatriz
latente em nós, os que estamos vivos de amor.
E quando o calor sufocar, nos banhemos em versos,
uma poesia só nossa... movimento.
E os corpos livres, sentirão-se firmes
pra voltar a se amar quando o frio vier.

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