terça-feira, 29 de junho de 2010

Epitalâmio

-Por hoje bailemos juntos
nossa primeira dança
Nossa primeira dança
bailemos juntos ao luar
que ilumina nossos corpos
dançantes a brilhar...

Por hoje, minha esposa
sejas tu a dama de honra
cujo olhar está a implorar
os olhos que te queiram buscar;
e cujo peito amante a suspirar
quer ser a dama que se desnude:
quer ser a fêmea a se entregar

-Teu olhar de esposo
chamou-me a alcova
e meu olhar seguiu-te atento e febril,
febril desejo esquentou-me por dentro:
acelerou minhas batidas,
molhou-me as coxas...
Como queres que eu seja dama
se despertas em mim
as fantasias mais devassas?

Ao entrares no quarto
meu olhar seguiu-te
a ver teus olhos me desnudando
e a clamar, teu corpo me pedia por posse.
Nossos olhares foram os primeiros
a se juntar em cópula..
Logo depois o corpo cedeu

-A sacerdotisa entrou no templo
tranzendo consigo o perfume sacro
que só o amor de esposa produz

-A sacerdotisa traz a àgua do orvalho
que só a boca do esposo pode beber

-A sacerdotisa entrou no templo
sem roupa. Trajando no corpo
o manto sagrado de sua nudez...

-Teu desejo tomou conta de mim
como uma besta solta,
loucas, as garras rasgaram
meu pudor e meu pejo...
animalescos, os corpos
buscaram-se um ao outro em fúria;
humanas, as almas dançavam
soltas no espaço...

-Sejas tua a fera, querida
e eu tua vítima contente
que usas, abusas e mata
e a qual fazes gemer quando queres
e que, prosternado ao teus pés
te pede clemência...

-Sejas tu o domador de feras, querido,
e eu a tua leoa submissa
da qual te apossas e zombas
por ser tão feroz e fragil...
Seja eu tua égua, a qual montas,
mas que exibes com orgulho
de um bravo guerreiro...
por te ser tão fiel e benquista.

-Como domaria um vassalo
àquela que é sua senhora?
Como poderia de te submeter
se sem ti esvai-se minha força e brio?
Não sejas cruel, esposa minha,
domina-me e mim e serei feliz...

-Eu sou tão frágil
que não poderia me suster em pé:
sou tua rosa
aquela que precisa de teus cuidados,
mas que em troca
te ofereço minha beleza
para que a deflores...

-O desejo fez o jardim
de teu corpo se abrir,
como gotas de orvalho
teu ventre jaz molhado
a esperar o calor nupcial
Como botões, as pernas
se abrem, se encontram
se tocam a se buscar...
enquanto te faço sentir
o quanto estamos em flor...

-Colhe-me como margaridas
e leva-me ao quarto de núpcias,
quero adornar o teu corpo
quero ser tua prenda mais cara...

-Não, tu não será minha prenda.
Mulher és e não objeto...
quero ter-te carnalmente
vorazmente como uma fêmea no cio,
mas também quero amarte loucamente
loucamente para possuir-te
de maneira que tu gostas...

-Tu ja me possuis-te, querido,
e eu te possui também...
somos posse um do outro
não somos escravos de mais ninguém.
Então dancemos de novo juntos
nossa sublime dança
nossa sublime dança
vamos de novo bailar
Que a lua não se foi
nem se foi o desejo
e a furia incontida da fera louca

-Dancemos juntos de novo
novamente e cada vez mais
na noite fria estajamos quentes
até o espetáculo acabar,
pelo cansaço dos corpos
mas com desejo de continuar...


Sophya Aurora e Tiago da

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