sexta-feira, 15 de março de 2013

As mãos que tenho hoje.


I
Eu não teria 
as mãos que tenho hoje
se ao afago
as carícias
não tivessem teu toque.
Não seriam
as mãos que angélicas
se entrecruzam
os dedos. Se declaram.
E se mesclam...

Não, não seriam
as mãos que de seda
percorrem o corpo...

(arrepio)

... não seriam tampouco
as de unhas afiadas
a causar a dor
que tu gostas.

II

Por um tempo
eram vergonha
ter mãos que ágeis
iam aos recantos
que íntimos se ocultavam.
Por outro era desejo
ter mãos que te
despissem
involuntariamente
das roupas:
da blusa
do blazer,
das meias
dos sapatos...
Por um tempo ainda,
as mãos se escondiam
por serem mãos de fada
que a cada toque
queriam desvendar teu truque,
e ainda outro...
as mãos de açoite
que rejeitavam
com fúria
a luxúria de teu toque.

III
As mãos hoje
não ofendem
não maltratam
não empurram
nem afastam.

As mãos hoje
não pedem basta
apenas te envolvem
de acolhem,
se dispõem
de canções
e te abraçam! 

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