quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Fios de seda

Tu disseste que partirias,
então meu peito apertou-se.
Lá longe de mim eu sabia
que não te teria em meus braços.
Que tu não me terias aos teus.

É frio quando anoitece,
se a saudade te aquecesse
eu pelo menos seria feliz,
mas tu te vais sem mim
e eu ficarei sem ti...
Lá fora só restará o frio

Teci com fios de seda
meu nome em tuas cobertas
para que quando voltares
ainda tenhas o calor
de meu corpo te envolvendo.

Espera...

Há neve no picos antigos,
por isso não ouço os pássaros
A água do rio corre mansinha
sem me levar a lugar algum.
Carrego apertada ao peito
uma rosa já sem pétalas...
Quando voltares das planícies
me darás outra de volta?

Encontro noturno

Espera o desabrochar do lótus
quando o incenso se apagar                     
            na colina perto da aldeia
que verás o quanto é belo
                  ver uma flor ao luar

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Poema existencialista

Olha pra mim
e deixa minha imagem
se desmanchar no espaço...
para que eu seja só poesia
e não mais Sophya...

para que eu seja ritmo
e não mais movimento.
Que eu não esteja em ti
como ilusão, pensamento.

Desconfigura as formas
do meu corpo mortal,
faz de mim tua letras
as ideias que tu tens
nos recantos mais diletos...

Não mais empirismo
mas construção, permanência...
os versos soltos no espaço
na boca dos nenos e dos velhos...

Que eu não seja mais eu,
seja sim cultura e análise
por que só assim... só assim
eu serei deveras imortal.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Sweet Dreams

Tantos sonhos de menina
e o doce luar na varanda
fazem com que a pequena
sonhe com a mãe cantando...

doces melodias tristes,
cantos do quotidiano,
canções da mãe d'água,
ao timbre seu cansado...

Deixa que te acalente, flor...
ouve o sonzinho das águas
que o vento te acaricia
e a chuva te embala...

Sou pequena, mãezinha,
tenho um medo sem tamanho
das sombras do escuro
e dos monstros da varanda.

Shi, fica quieta, menininha
já já a noite acaba...
sorri que vem outro sonho
cheio de doce e goiabada...

cheio de carinho e alegria...

sábado, 31 de agosto de 2013

A moça bonita


Quando em ti os olhos pousei
disse: Vejam que moça bonita,
de longe parece uma artista
cujo nome nem lembro nem sei.

Quem seria ela, Me indaguei,
que anda com tamanha altura,
controla a voz e a postura
e um sorriso daquele? Não sei...

Eu só sei que foi assim 
que algo em mim disse sim
pr'aquela moça que tão linda.

E mesmo depois de casados
olho pra ti e assombrado
vejo que és mais bela aínda.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Coração aperreado!

Coração aperreado!

Cupido, vai te lascar, cupido!
Vai flechar a triste de tua vó
que meu único desejo de nó
é o que te prender bem prendido!

Oxe, e eu to lá virando besta
pra tar levando flecha de graça.
Agora pega tu essas desgraças
e experimenta furar a testa...

Tá doido! Isso só nos machuca,
aperreia, deixa a gente maluca
com vontade de danar-lhe a peixeira

Por isso, cupido, tu te orienta
não vem com essa seta nojenta
que eu te espanto na carreira!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Melancolia do palhaço...

A maquiagem borrou-se, eu sei...
não restou nada mais que dores.
O sorriso que me prendia ao palco
agora não prende mais o coração.

Sim, posso chorar deveras,
se era isso que queria a tarde toda.
Quando eu ante a plateia
dava pulos e cambalhotas.

Agora sim posso enjaular-me,
pedir, de verdade, para ser devorado
pelo leão que em seu jaula
ainda luta pela liberdade.

Agora sim posso ser homem
e não mais um personagem...
posso vestir as roupas negras
que eu queria ao meu disfarce.

Posso enfim chorar, pois sou humano...
posso enfim despedaçar meu coração
em mil pedaços... posso sofrer
agora que estou fora do palco.

... como isto é engraçado...

A maquiagem se borrou, no tristíssimo palhaço!


Sad rose

A flor escrita na pedra,
na pedra o botão de flor...
se queres dar-me presentes,
presenteia-me o teu amor.

Que a rosa pétrea não cheira,
que rosa azul não destila
o orvalho que quero de ti
quando me desfaço em calmarias.

Vem, que a rosa em arte desfruta
de uma solidão sem fim...
tal qual a minha agorinha
quando estou pensando em ti.

Distante és, à minha frente
te encontras como irrealidade...
não te toco, não sinto, não cheiro...
tu em mim, só vontade...

de mim, a rosa mais triste!

sábado, 24 de agosto de 2013

O sofrimento da fé!

A todos aqueles que buscam a Paz:
-Dêem-se o descanso eterno!
A todos que querem conforto veraz:
-Dêem-se a lavoura, enxada e pás!
Para plantar nesse chão carcomido:
-O gota de sangue de nosso Senhor!
Sangue sagrado no madeiro cravado:
-Marcado na testa, na alma e na voz!
A todos que suplicam a divina mercê:
-Cravem nas costas uma fome de cruz!
A todos que viram e ouviram a voz:
-Dizendo que isso é o que resta pra nós!
Daquele que tudo nos pode fazer:
-Até passar fome, doença e nudez
Diga-se atento em uníssona voz:
-Que atente os ouvidos o nosso Senhor.
A Maria, divina protetora e mãe veraz
-Vinde nossa Senhora e dai-nos a Paz!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Só por hoje não chores...

Só por hoje não chores, querida
deixa ao acaso toda essa mágoa
que insiste em te fazer desistir
Só por hoje ignora, ou finge
quem sabe, fingindo, sofras mais
quem sabe, enganando-te
possas realmente sentir tua dor
por isso, querida, por hoje não chores
Guarda tuas lágrimas pra o que vem
por hora... aprecia teu tédio
tua forma de apenas existir
e não buscar nada mais que o
silêncio que assola este quarto
Não, por hoje não chores
não és triste o suficiente para faze-lo
Por hoje esquece tudo... até de ti mesma
Por hoje oferece-te um desprezo
Uma solidão se puderes...
Mas não chores, não agora
deixa pra mais tarde... pra o fim
e se ele não vier...
espera tua tristeza ser o suficiente
para isso
Não chores... quem sabe assim
chorarás mais por dentro
de que expondo ao ridículo tuas lágrimas
Quem sabe quando chegar a hora
terás realmente força de chorar
e assim dormirás nas angústias de teu pranto
te envolverás nas cobertas de teu tédio
até que a escuridão de teu desprezo
feche teus olhos e apague as luzes

Poema de 27/08/2009

O tempo e os rastros (Monólogo em versos)

O TEMPO E OS RASTROS (Há uma senhora sentada, olhando para a plateia. Ela quer nos dizer algo, mas tem dúvida de como fazê-lo, plane...