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terça-feira, 15 de outubro de 2013

A vendedora de Frutas

Aquela moça na calçada
tem um belo de um sorriso,
que eu fico aqui indeciso
de cortejar ou não tal fada.

E ela tem assim um brilho
que irradia a todos pela rua,
e que perante a beleza sua
nada mais tem tanto brilho.

Eu posso vê-la todas as tardes
a vender frutas na cidade
e faço questão de comprar dela

só pra sentir em seus produtos
a pele suave de veludo
da vendedora Manuela. 

Alegria, alegria...

Nada como se disfarçar de sorrisos
quando eu vir as luzes e as cortinas.
Pelo menos tingindo-me de vaidade
posso ser importante e a platéia vibra.

Que eu me acabe em cambalhotas,
enfrente os leões com ousadia,
sempre que eu fizer palhaçadas
serei sim a maior atração do circo.

E sinto-me feliz, verdade...
de vestir-me de escárnio e de mentiras.
Ser para todos que me olham
o motivo de suas breves alegrias.

Afinal, é por isso que sou palhaço,

sábado, 12 de outubro de 2013

Luz e imagens

As imagens tem som.
As imagens tem cheiro.
As imagens em cor
trazem à memória
toda a plenitude do instante.

Um foco de luz em nossa retina
que se espalha pelos nervos
e que transmitem luz
e de luz em luz
a imagem cria existência
Como coisa em si,
que se transmite a nós.

Mesmo as trevas,
são luz dentro da imagem.
Mesmo cegueira,
cria luzes quando imaginamos.
Por isso sabemos que existimos

E que as coisas podem,
mesmo que ocultamente,
ter seu brilho...
se nos abrirmos à luz


que já está em nós.

Epitáfio de Ricardo Reis a Lídia

Epitáfio de Ricardo Reis a Lídia

Se eu ao menos os espinhos tivesse
da rosa que em mãos alegres tive,
não teria emaranhado nas faces
as cores cinzas de um sorriso.

Se ao menos o galho seco d'outrora
estivesse ao meu lado ainda,
mesmo que em suas raízes secas
eu não sentisse a antiga vida,

eu teria latente em tal imagem
a lembrança da poesia antiga.
De seu ritmo que balançava
o peito amante e destemido.

Se só a folha da palha que se vai
eu cá a tivesse ainda comigo,
se tão somente a sensação saudosa,
eu sei que eu ainda sorriria.

Nem que seja um pouco.

Nem que seja tão breve
o instante que alumia
a lembrança de tua passagem
pequena Lídia.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Detrás do sorriso


Um palhaço preso
não sorri, zomba
das piadas que
foram mal contadas.

Talvez porque
neste último gracejo
ele esconda 
a solidão de suas
lágrimas de risos.

Quando voltei a ti portas adentro

Quando voltei a ti portas adentro
já estava eu velho e cansado
o semblante tombou ao descuidado
o sorriso foi-se ao sofrimento.

A porta rangeu e o ar pesado
de um tempo há muito que se foi,
de um tempo que em mim ainda doi,
a época de ouro do meu passado.

A casa, bem sei, já estava vazia,
com os móveis cheios de nostalgia
sem o colorido de meus pensamentos.

Na parede teu retrato já amarelo,
agora declarava teu adeus sincero
quando voltei a ti portas adentro.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A caixa de Pandora

               
     Se Pandora não abrisse a caixa, talvez ela estivesse em segurança, porém não seria feliz. Quando uma dúvida se lança, logo vem a inquietação, o desejo das respostas. O mistério, motor imóvel que não precisa ter nada para movimentar, só precisa ser. E lá vamos nós... queremos nos adentrar em seus labirintos, quer que o que descubramos seja ruim, ou mesquinho, ou até mesmo idiota, mas se há o mistério há o desejo. O desejo de sermos plenos, porque não há maior medo do que o medo do desconhecido, do inimaginável. Com a chave na mão Pandora tinha duas opções, ou deixava se levar pelo desconhecido ou teria que encará-lo para aliviar sua própria curiosidade. Diz a lenda que ela hesitou, mas abriu... e após esse breve girar das engrenagens do cadeado todas as catástrofes humanas pairaram sobre a terra. Pandora pode ter chorado porque tudo aquilo poderia ser evitado. Poderia mesmo? Há algo que dome o intelecto humano pela busca do desconhecido? Pandora chorou, porém no final, em um canto empoeirado ela viu um pequeno ponto luminoso. Era a esperança... Perdida nas trevas do mistério, misturada aos maiores medos da humanidade, lá estava ela... tênue luz... a esperança que vence os medos. Com os monstros a solta, somente a esperança poderia resistir. Contra o mal, só a esperança. A luz da caixa misteriosa. Será que depois disso Pandora voltou a sorrir?

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Principais aspectos da administração espanhola colonial.

Principais aspectos da administração espanhola.
            Logo após a conquista dos grandes impérios pré-colombianos por parte da Espanha, deu-se início a um processo de subjugo das sociedades indígenas que acabou por desmantelar a comunidade aldeã no seu modo primeiro e incorporou-a à dinâmica comercial europeia. No entanto, o predomínio de não quer dizer o desaparecimento da outra. Como bem frisa Ronaldo Vainfas, o processo de conquista se deu tanto por imposição, como por aculturação, e aculturação recíproca... Violenta, mas recíproca. Daí podermos afirmar que no processo de formação da máquina administrativa espanhola no Novo mundo houve dois momentos. O primeiro, que ocorreu entre 1494 e 1542, logo após a conquista, e que foi marcado pela conjunção de instituições ibéricas oriundas da reconquista, como a encomienda, com instituições de origem mesoamericana e andina, como a mita e o cuatéquil. Com o surgimento dês Leyes nuevas inaugura-se um novo período na administração hispânica, oriunda da necessidade de a Coroa controlar melhor os seus domínios e evitar usurpações. Caracteriza essa fase o declínio da encomienda que, com a formação dos vice-reinos, levou, consequentemente, a maturação de uma elite colonial burocrática.
            Antes de qualquer coisa, quem analisa o contexto do domínio do Novo mundo precisa ter nos olhos a lente de quem o conquistou. Perguntemo-nos que novos rumos essa conquista traçou, posto que vastos territórios oferecem inúmeras formas de administrá-lo e inúmeros problemas a ser solucionados – ou, pelo menos, amenizados. Comecemos, pois, por esboçar o seguinte painel. Quando Carlos V assume o trono do Sacro Império no ano de (), mandou grafar em seu brasão a frase Plus ultra – mais além -, incrustada entre as duas colunas de Hércules, afirmando seu desejo expansionista. Pois bem, a conquista da América trouxe essa possibilidade de uma maneira bastante real. Pela primeira vez na história surge um império transoceânico. Entretanto, como se sabe, esse Novo mundo não estava desabitado. Havia inúmeras populações que iam desde o estado tribal até sociedades altamente hierarquizadas e complexas, mas com uma semelhança entre si. O seu “American way life” de forma alguma era compatível aos moldes europeus. Era preciso civiliza-los. Incluí-los nesse mercado e modo de ser do Velho mundo, porque, acima de tudo, esses territórios serviam pra atender a necessidades comerciais de uma Europa que ansiava pelas tão cobiçadas especiarias, e por ouro e prata. Nesse contexto, a Espanha saiu privilegiada e, principalmente Castela, posto que a bula intercoetera, emitida em 1493 por Alexandre VI concede as terras descobertas, não ao rei da Espanha, mas aos Reis de Leão e Castela. Do ponto de vista institucional, essa medida determinou a reprodução de instituições aristocráticas baseadas no latifúndio, típico da política castelhana e que viriam a caracterizar boa parte da administração colonial.
            Sendo, pois, posse de Castela, os emigrantes d’outras províncias teriam limitações para ingressar. Para controlar esse fluxo de gente e, como também de mercadorias, foi criado em 1503 a primeira Casa de La contratación. Esse órgão era responsável pelo transito de coisas e mercadorias entre homens e mulheres entre Espanha e América e estava sediado em Sevilha. A sua criação advém da necessidade de centralizar a administração, controlar de forma eficiente o comércio, conservando-o em mãos nativas e mantendo longes elementos indesejáveis. Chamamos a essa medida de política do porto único (Ronaldo Vainfas É claro que os aventureiros e interessados nos negócios no Novo mundo sempre deram um jeito de burlar essas restrições. Com o tempo a crescente pressão comercial forçou o desenvolvimento institucional, sendo preciso a formação de um aparato burocrático mais formal. Em 1523 foi criado o Conselho das Índias que, como o nome já diz, tinha uma função conciliar. Isto é, era o espaço em que se combinavam os interesses plurais de cada sector interessado com os da Coroa, representando o estado unificado. É necessário que se note que, ao contrário dos demais conselhos peninsulares, esse conselho das Índias estava na práxis fora do contexto real da colônia, o que fazia com que muitas de suas deliberações não atendessem às reais demandas dos súbditos nos territórios ultramarinos. A consequência disso seria a criação de uma casta de burocratas que estavam preocupados mais em legitimar que inovar – e quando falamos em legitimar, dizemos em legitimar a si mesmos como membros de uma elite. No entanto, e verdade seja dita, é meio difícil pensarmos em uma inovação e criatividade burocrática quando nos deparamos com os inúmeros problemas que a Coroa se deparava, dentre eles, e um dos principais, estava a distância. Por isso, uma vez determinadas as diretrizes da máquina administrativa e estabelecida a sua estrutura, tendia-se a assegurar que se mantivesse uma rotina. E como o aparato estatal era muito centralizador, o melhor, para ambos os lados seria, ao invés de se rebelar contra ele, explorar as suas fragilidades, o que não era muito difícil, pelo que o tempo mostraria.
A disseminação d’autoridade baseava-se numa distribuição dos deveres entre os funcionários. No entanto era possível, e até frequente, que um mesmo funcionário detivesse vários tipos diferentes de função. Isso, com certeza, causou atritos, posto que uns tendessem a controlar os demais e opor a autoridade de um a outro. As primeiras figuras a representar a autoridade da Coroa em território americano foram os gobernadores, cargo geralmente ocupado pelos conquistadores. Figuras análogas aos donatários d’América portuguesa, a eles foi concebido o direito de dispor de terras e de índios.  É claro que nesse período, a encomienda teve um papel fundamental, visto que conferia àquele que a geria o direito de cobrar impostos sobre as populações indígenas. No entanto, não é preciso ser um hábil observador para perceber que tais prerrogativas, juntamente com o direito a exercer justiça nas áreas de sua jurisdição, conferiam grandes poderes a quem as detinha, o que não era bom para a Coroa. Na verdade, num momento inicial, a concessão de tais privilégios servia de atrativo àqueles que queriam obter fama e dinheiro. Porém, a sua perpetuação acabaria criando uma casta de “senhores feudais”. Sabendo disso, e como a mão que afaga é a mesma que apedreja, cuidou a Coroa de adapta-la de modo a torná-la mais inofensiva. Para isso procurou diminuir o poder dos conquistadores, lutando assiduamente pelo fim da encomienda e designando uma nova casta de gobernadores, não mais adelantados, mas administradores. De todas as formas mantiveram-se as prerrogativas administrativas, judiciais e militares, mas estas seriam de menor importância, posto que seriam delegadas a uma unidade administrativa de maior poder: o vice-reinado.
Criada quando da conquista por Colombo, deixada de lado após a morte de sua viúva, revivida em 1535 e legitimada pelas Leyes nuevas em 1542, essa unidade administrativa estava no topo da hierarquia das instituições criadas nas Índias. Delegado por parte dos Monarcas, o vice-rei era alter ego do rei e unia em sua pessoa os atributos de governador em capitão-mor, assim como também o cargo de presidente da audiência, considerado o principal representante judicial da coroa. É claro que tamanho prestígio e a possibilidade e lucro que podia ser auferida com ele despertou o interesse de famílias nobres, que viram no cargo a chance de consumar as suas ambições. De fato, aqueles que prosperavam em sua administração tornavam-se benquistos diante da Coroa e do Conselho das Índias, todavia muito frequentemente esses vice-reinados traziam desapontamentos e, ao contrário de enriquecer e enobrecer, empobreciam e traziam má fama. Na verdade muitas dessas decepções advinham da impossibilidade de seguir certas prerrogativas impostas aos vice-reis, como o de não casar-se com mulheres da colônia, nem estabelecer alianças com populações locais etc. No entanto, como se disse acima, muitas vezes as leis emitidas na metrópole não correspondiam à real situação das colônias. A formação de um aparato burocrático nos territórios ultramarinos formou também uma elite colonial, elite que fazia de tudo para consolidar sua posição, da mesma forma que os vice-reis mais ajuizados fariam. Mesmo sendo um alto cargo representativo, o vice-rei não deixava de ser um funcionário régio. Dentre suas várias funções burocráticas havia aquela que era fazer cumprir as leis que Madrid emitia, leis estas que serviam como um tratado geral dos desígnios da Coroa, coisa que era pra ser levada em conta. Uma dessas leis era a provisión, uma lei geral relativa às questões de justiça ou de governo e que comunicava uma decisão real ou do Conselho das Índias. Vinha assinada Yo El Rey e era emitida num documento chamado cédula real. Não constando de destinatário, mas corporificando as decisões do Conselho das Índias ou audiências estavam os autos. Um fato interessante a ser notado era o número de leis que eram expedidos pela Coroa – Diego de Encinas fez uma compilação de cerca de 3000 delas. E mais interessante ainda era o número delas que era repetido, o que denota o alto grau de descumprimento a elas. Malgrado isso, os vice-reis não podiam fazer vista grossa à sua existência, posto que os ouvidos dos oídores estavam atentos a quaisquer deslizes cometidos pelos mesmos. É claro que essa fiscalização era muito menos movida pelo zelo no cumprimento da lei do que pelas intrigas políticas das aristocracias que se formaram no lado de cá do Atlântico. Mas já que se citou tanto as audiências, falemos um pouco delas.

Empregando-se de cerca de noventa cargos ocupados por cerca de mil homens durante quase dois séculos de domínio Habsburg na Espanha, a audiência era o órgão responsável pela parte jurídica do vice-reinado, assegurando o adequado cumprimento das leis no Novo mundo. Apesar do seu papel de tribunal supremo, muitas vezes as audiências adquiriram outros atributos, exercendo a função de governo entre a partida de um vice-rei e a chegada de outro. Essa forte influência administrativa, tendo contacto direto com o Conselho das Índias, inclusive, deu a esse órgão um status ainda não visto em parte nenhuma do Império. Não seria de surpreender que os grupos aristocráticos do Novo mundo brigassem às tapas por um assento nessas audiências. Na verdade é preciso que se frise presto, e estamos tardios em fazer isto, que era mais que comum o uso da máquina pública para fins individuais, o que comumente se designa por corrupção; e se os espaços públicos eram espaços onde, teoricamente, a vontade real se veria cumprida, ou pelo menos se prezasse por isso, eles, antes de qualquer coisa, serviram para legitimar a aristocracia criolla que se usava deles para conquistar seus interesses, indo muitas vezes de encontro à vontade de Madrid. Fechando esta explanação, voltemos nossos olhos alguns cargos que faziam parte do corpo burocrático das audiências. Em primeiro lugar estavam os sobrecitados oídores ou juízes d’audiência, responsável por fiscalizar as ações dos vice-reis, além de ocupar um lugar de juiz na comunidade colonial. Deles, assim como os vice-reis, cobrava-se que não houvesse mistura com o gentio ao seu redor. Mas eles, assim como os vice-reis, acabavam por não cumprir essa prerrogativa, de modo a assegurar sua permanência e poder dentro da estrutura colonial. 

sábado, 31 de agosto de 2013

A moça bonita


Quando em ti os olhos pousei
disse: Vejam que moça bonita,
de longe parece uma artista
cujo nome nem lembro nem sei.

Quem seria ela, Me indaguei,
que anda com tamanha altura,
controla a voz e a postura
e um sorriso daquele? Não sei...

Eu só sei que foi assim 
que algo em mim disse sim
pr'aquela moça que tão linda.

E mesmo depois de casados
olho pra ti e assombrado
vejo que és mais bela aínda.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Melancolia do palhaço...

A maquiagem borrou-se, eu sei...
não restou nada mais que dores.
O sorriso que me prendia ao palco
agora não prende mais o coração.

Sim, posso chorar deveras,
se era isso que queria a tarde toda.
Quando eu ante a plateia
dava pulos e cambalhotas.

Agora sim posso enjaular-me,
pedir, de verdade, para ser devorado
pelo leão que em seu jaula
ainda luta pela liberdade.

Agora sim posso ser homem
e não mais um personagem...
posso vestir as roupas negras
que eu queria ao meu disfarce.

Posso enfim chorar, pois sou humano...
posso enfim despedaçar meu coração
em mil pedaços... posso sofrer
agora que estou fora do palco.

... como isto é engraçado...

A maquiagem se borrou, no tristíssimo palhaço!


sábado, 24 de agosto de 2013

O sofrimento da fé!

A todos aqueles que buscam a Paz:
-Dêem-se o descanso eterno!
A todos que querem conforto veraz:
-Dêem-se a lavoura, enxada e pás!
Para plantar nesse chão carcomido:
-O gota de sangue de nosso Senhor!
Sangue sagrado no madeiro cravado:
-Marcado na testa, na alma e na voz!
A todos que suplicam a divina mercê:
-Cravem nas costas uma fome de cruz!
A todos que viram e ouviram a voz:
-Dizendo que isso é o que resta pra nós!
Daquele que tudo nos pode fazer:
-Até passar fome, doença e nudez
Diga-se atento em uníssona voz:
-Que atente os ouvidos o nosso Senhor.
A Maria, divina protetora e mãe veraz
-Vinde nossa Senhora e dai-nos a Paz!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Só por hoje não chores...

Só por hoje não chores, querida
deixa ao acaso toda essa mágoa
que insiste em te fazer desistir
Só por hoje ignora, ou finge
quem sabe, fingindo, sofras mais
quem sabe, enganando-te
possas realmente sentir tua dor
por isso, querida, por hoje não chores
Guarda tuas lágrimas pra o que vem
por hora... aprecia teu tédio
tua forma de apenas existir
e não buscar nada mais que o
silêncio que assola este quarto
Não, por hoje não chores
não és triste o suficiente para faze-lo
Por hoje esquece tudo... até de ti mesma
Por hoje oferece-te um desprezo
Uma solidão se puderes...
Mas não chores, não agora
deixa pra mais tarde... pra o fim
e se ele não vier...
espera tua tristeza ser o suficiente
para isso
Não chores... quem sabe assim
chorarás mais por dentro
de que expondo ao ridículo tuas lágrimas
Quem sabe quando chegar a hora
terás realmente força de chorar
e assim dormirás nas angústias de teu pranto
te envolverás nas cobertas de teu tédio
até que a escuridão de teu desprezo
feche teus olhos e apague as luzes

Poema de 27/08/2009

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A menina invejosa

Uma outra, invejosa,
morava no vilarejo,
pra imitar a menina
quis fazer o mesmo feito.
Saiu pela madrugada
aproveitando a lua cheia
escondida baixo a roupa
a peste duma corneta.
A invejosa sentada
esperou que aparecessem
os lobos pra que ouvissem
a música da corneta.
Depois de umas três horas
os caninos por fim vieram
um tanto que desconfiados
daquela estranha cena,
mas a outra com um sorriso
leva aos lábios de repente
e enchendo as faces rubras
toca o seu instrumento.
O sonido se espalha
na escuridão da floresta
fazendo voar as aves
e escapar os morcegos.
Os lobos gritam alto: "Para!
Que zoada da mulesta!
Fica ai toda exibida
com a bosta dessa corneta!
Eu ja tô que não aguento
ter que ouvir essa peste!"
E os lobos atacaram
a menina encrenqueira.
Não quiseram devorá-la
"E quem quer essa tranqueira?"
Coisa ruim se joga fora.
Aprendeu, sua danada,
como é feio ter inveja?

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A menina e a flauta

A menina à beira do rio,
beira do rio onde estava,
sozinha ao som das folhas
vestida como de nada,
pobres trapos, pobres vestes,
velha flauta afinava.
O vento frio, noite densa,
fazia tremer a carne,
vento a gelar em volta
e os olhos cheios de lágrimas.
Na moita verde, tão verde
os lobos a espiavam
sentindo o cheiro pueril
co'as bocas insaciáveis.
Com as mão trêmulas ergue
a flauta para os lábios.
erguendo à noite vazia
um canto rouco, cansado.
Quase não se ouvia a lira
do cantar pobre e fraco,
só os lobos escondidos
que a presa espreitavam
detiveram-se um pouco
ao som que os assustava.
Mas veio um vento moreno
que de norte a sul andava
parou-se na pequenina
para poder escutá-la.
A menina então sentiu
na presença de um estranho
alguém que ao som da música
fazia as folhas dançarem.
E tocando a flauta rouca
já não temia a mais nada,
nem ao escuro da noite
nem aos lobos que a cercavam.
E então tocou, tocou, tocou
até cair de cansada...
e as feras foram embora
guardando silêncio grave.
Quem te ninará pequena
no silêncio das montanhas?

terça-feira, 20 de agosto de 2013

domingo, 18 de agosto de 2013

Gratidão - Série sentimentos

- A criança segurava um mini presépio com tanta alegria que deu vontade de escrever isto!

O que se tem não é muito,
mas é o bem mais precioso.
Sentir-se bem sem ter tanto
e construir em tão pouco.

Mesmo que haja maiores
alegrias e mais sonhos.
Sonhar o seu que existe
e não o sonho dos outros

é o maior bem que se tem.
Aínda que o verso não soe,
é bom que seja assim mesmo,
tímido com a voz rouca,

mas que pode acalentar-nos
só por existir e pronto!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Tensão - Série sentimentos

Havia furor nos olhos
quando dela as lágrimas,
pediam que calassem
a dor que nos causa.

As mãos sob o queixo,
sabiam que suportavam
os suores frios d'angústia
do medo, talvez da raiva,

Assim as imagens contam
de ações sem palavras
desesperos de homens
que ainda possuem alma

Mas calemo-nos nós
para não calar o retrato.

Esperança - Série sentimentos

Uma certeza de cura
quanto maior a ferida.
A mais perfeita morada
é a casa em ruínas.

A falta de pão na mesa
torna melhor a comida.
E a face mais radiante
vem daquele rosto triste.

Os homens tem essa força
motora que os incita
seguir sempre adiante
mesmo quando impossível.

Pois é no branco da neve
e no inverno mais frio
que no brilho das geleiras
que o verão se anuncia.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Deyse Cristina quer o outono

Deyse Cristina quer o outono
pelo colorido seu tão triste.
Deyse Cristina quer o outono
pelo cair tal a nostalgia...

as folhas douradas do outono
estas as quer Deyse Cristina,
as folhas que estão se indo
dando-nos o último colorido.

Ela quer estas folhinhas murchas
que se dão em adeus, despedida,
porque elas transmitem a saudade
de um viajante longínquo

que vai, mas que promete voltar
no tempo que for preciso...
é essa esperança que ela quer
no fim de outono colorido.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O adeus da musa.

O adeus da Musa

#Ricardo Reis ao pé do leito moribundo de Lídia escuta desta a seguinte canção:


Quando eu me cansar de ser flor
e atenta aos versos escrever ainda,
pétala após pétala, o seio desnudo
deixará secar toda a poesia.



Quando eu me cansar da beleza intata
e ainda assim soar ao longe a lira,
solo, talo, folhas cairão aos poucos
deixando secos apenas os espinhos.



Quando de mim render, suspirar a morte,
os olhos murcharem a ver campinas
grandes lagos, lapsos de uma memória
detendo adentro o que fora está se indo...



não te impressiones da flor que vês,
que entregou-te a beleza que agoniza
Não chores o verso depois da morte...
deixa em meu ocaso tua mão na minha.



Que o lago ja se foi faz tanto tempo,
não passa de imagem a antiga pradaria
os pássaros não cantam como cantavam
nem as flores são mais que mera poesia.



Deixa em paz a tua pequena
deixa em paz a doce Lídia.

O tempo e os rastros (Monólogo em versos)

O TEMPO E OS RASTROS (Há uma senhora sentada, olhando para a plateia. Ela quer nos dizer algo, mas tem dúvida de como fazê-lo, plane...