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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Detrás do sorriso


Um palhaço preso
não sorri, zomba
das piadas que
foram mal contadas.

Talvez porque
neste último gracejo
ele esconda 
a solidão de suas
lágrimas de risos.

domingo, 18 de agosto de 2013

Gratidão - Série sentimentos

- A criança segurava um mini presépio com tanta alegria que deu vontade de escrever isto!

O que se tem não é muito,
mas é o bem mais precioso.
Sentir-se bem sem ter tanto
e construir em tão pouco.

Mesmo que haja maiores
alegrias e mais sonhos.
Sonhar o seu que existe
e não o sonho dos outros

é o maior bem que se tem.
Aínda que o verso não soe,
é bom que seja assim mesmo,
tímido com a voz rouca,

mas que pode acalentar-nos
só por existir e pronto!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Tensão - Série sentimentos

Havia furor nos olhos
quando dela as lágrimas,
pediam que calassem
a dor que nos causa.

As mãos sob o queixo,
sabiam que suportavam
os suores frios d'angústia
do medo, talvez da raiva,

Assim as imagens contam
de ações sem palavras
desesperos de homens
que ainda possuem alma

Mas calemo-nos nós
para não calar o retrato.

Esperança - Série sentimentos

Uma certeza de cura
quanto maior a ferida.
A mais perfeita morada
é a casa em ruínas.

A falta de pão na mesa
torna melhor a comida.
E a face mais radiante
vem daquele rosto triste.

Os homens tem essa força
motora que os incita
seguir sempre adiante
mesmo quando impossível.

Pois é no branco da neve
e no inverno mais frio
que no brilho das geleiras
que o verão se anuncia.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Solidão - Série sentimentos


Talvez erro de fábrica,
por aí nem tem sentido.
O mundo vai e se acaba,
e não há tempo perdido.

Solidão vem, vida passa.
Que falta faz o carinho?
Nem um pouco se olharmos
a sombra que se aproxima.

Porém ela existe e doi,
quando se torna demasia.
Fugir pra onde se dentro
é que está sua ferida?

A vida passa, se esvai
o vento murcha as rosinhas.
E é assim que vamos, vamos.
Ruim demais ser tão sozinho.

terça-feira, 5 de março de 2013

A história de Odorico


Odorico estava construindo um edifício de tijolos vermelhos perto de um terreno íngreme. Certo dia ele deixou-se levar pela preguiça e colocou um dos tijolos-base de forma errada. Ele sabia que aquilo era perigoso, mesmo assim colocou aquele tijolo mal botado. E continuou a construir. Um dia ele sentiu vergonha do que fez, mas não podia mais remover aquela peça. E as pessoas que passaram na rua perguntavam: “Por que o Odorico colocou aquele tijolo daquela forma?”. Muitos amigos ainda acreditaram no Odorico, mesmo que não pudessem mexer no que ele já havia feito. Alguns o estimularam a plantar flores, árvores frutíferas: com o tempo as pessoas passariam a ignorar aquele tijolo. E ele fez isso. Dia após dia Odorico cuidava do jardim que tinha plantado para esconder sua vergonha. Mas o tijolo estava lá. Um dia alguém lhe disse, tira o tijolo, talvez a casa caia, mas pelo menos você se livra disso. Odorico tinha vergonha daquele tijolo, mas também tinha medo de machucar o jardim que tinha plantado e cuidado com tanto amor. Porém ele sabia que um dia uma dessas flores iria bater no tijolo e iria se machucar de toda forma. E o que ele fez? Decidiu tirar o tijolo. Infelizmente metade da casa caiu e machucou muitas plantas do jardim, e das mais bonitas. Odorico tentou desesperadamente salvar as que tinham vida. E até que conseguiu, mas a casa... aquela que ela amava, mesmo com aquele tijolo torto, ficou com as paredes tortas e nunca mais foi a mesma.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Amor - Série sentimentos

Uma casa tão pequena
que cabe dentro do peito,
mas é como se coubesse
dentro dela o mundo inteiro.

Uma caixa que não se abre
seja em portas, maçanetas,
mas é como se em asas
voássemos sobre a terra.

É em nós, mas sem ser nosso,
é um só, mas em dois seres...
ou em três ou até em mais.
mas onde as dimensões dele

aloquem dentro da casa
os muitos e vários entes
que sendo vastos e vários
podem caber em um peito.

O tempo e os rastros (Monólogo em versos)

O TEMPO E OS RASTROS (Há uma senhora sentada, olhando para a plateia. Ela quer nos dizer algo, mas tem dúvida de como fazê-lo, plane...