segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Deyse Cristina quer o outono

Deyse Cristina quer o outono
pelo colorido seu tão triste.
Deyse Cristina quer o outono
pelo cair tal a nostalgia...

as folhas douradas do outono
estas as quer Deyse Cristina,
as folhas que estão se indo
dando-nos o último colorido.

Ela quer estas folhinhas murchas
que se dão em adeus, despedida,
porque elas transmitem a saudade
de um viajante longínquo

que vai, mas que promete voltar
no tempo que for preciso...
é essa esperança que ela quer
no fim de outono colorido.

Rainy Day

Dia de chuva, meu amor
esperemos mais um pouco
que o céu se pinta de aço
e a chuva ácida nos fere
ainda que um pouco.

Dia de inverno, manhã fria...
A água pelos esgotos
carregada de cinzas
fere as lembranças que temos
das paixões de outrora
em sintonia.

A chuva na cidade fere, meu amor...
não te precipites ao abismo.
Deixa calado ao peito triste
a saudade que tens quando estás comigo.

Fixa-te um pouco ao seio aberto
que te outorga o sangue da ferida minha.
Deixa que o calor aqueça os versos
que tu querias ouvir alegre...

mas se achas que o sol não sai,
fecha os olhos e me abraça forte,
tal aquelas estátuas que vês a longe
perto de uma loja no final da rua...
queda-te sereno e calmo
que é só um espetáculo esta chuva
e a solidão o enredo mágico.

Fiquemos um pouco, meu amor

sábado, 10 de agosto de 2013

Santos e pecadores



Não poderei mais pisar aqui!
Disse meu coração e chorou
triste de mansinho...
Não, não poderei mais!
E enquanto isso tu sorrias...
sim, aí de longe tu sorrias.

Os muros da igreja são pesados
e densos... a luz das velas
é como um ponto de repouso
que cintila e pode se apagar
quando a dor for imensa...

Mas ainda assim eu sabia
que aí, em algum cantinho longe,
teus olhos meigos sorriam.

Não posso mais pisar neste chão!
Meu coração está denso
como as colunatas desta abadia!
Nem percebo que estou tremendo toda,
tola... como se inda fosse uma menina.

O capelão reza na nave central da Igreja,
ao meu lado uma senhora repetia
as contas de um rosário velho
ao lado da imagem do Cristo.
Como é triste o sangue a brotar
em suas chagas abertas!

Sentada no meu cantinho
julguei se eu estaria melhor...
nunca compreendi bem
a razão disso tudo
como um ato de amor
que nos deixa tão feridos.

Não, eu sei que sou tola!
E não consigo nem juntar
palavras...
nem sei porque estou aqui,

Mas eu sei que por aí,
em algum cantinho longe,
mansamente entendias
que meu pobre coração
na verdade te pedia.

Então tu sorrias!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Quero ver, Dona Chica!


Dona Chica, dona Chica
que mal tem eu brincar
de roubar as frutinhas
que caem em seu quintal?

Por acaso é desperdício
na barriga de criança
umas tantas acerolas
e umas outras tantas mangas?

Olha que Deus castiga,
viu dona Chica?
Que faz chorar a um anjinho
vai se ver Jesus Cristinho.

Ai eu quero ver
a senhora pegar a sua vassoura
e colocar ele pra correr.

Que farás, amor?

Amor, que farás
do sono sem sono,
do sono abandono
quando tarde demais?

Da noite sem lua
sem brilho na rua
versos sem sonhos,
que farás?

Que farás quando o beijo
não for mais desejo
e o desejo for nada
nas noites sem paz?

Pularás do edifício
no momento difícil
dos tempos atuais?

Ou irás às montanhas
recolher das entranhas
da terra uma flor
e a mim a trarás?

Sabe que presentes
os quero ausentes
que de ti não me destes
há tempos atrás,

pois que se findo
o contacto dos olhos
fechou-se a janela
da alma também.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O adeus da musa.

O adeus da Musa

#Ricardo Reis ao pé do leito moribundo de Lídia escuta desta a seguinte canção:


Quando eu me cansar de ser flor
e atenta aos versos escrever ainda,
pétala após pétala, o seio desnudo
deixará secar toda a poesia.



Quando eu me cansar da beleza intata
e ainda assim soar ao longe a lira,
solo, talo, folhas cairão aos poucos
deixando secos apenas os espinhos.



Quando de mim render, suspirar a morte,
os olhos murcharem a ver campinas
grandes lagos, lapsos de uma memória
detendo adentro o que fora está se indo...



não te impressiones da flor que vês,
que entregou-te a beleza que agoniza
Não chores o verso depois da morte...
deixa em meu ocaso tua mão na minha.



Que o lago ja se foi faz tanto tempo,
não passa de imagem a antiga pradaria
os pássaros não cantam como cantavam
nem as flores são mais que mera poesia.



Deixa em paz a tua pequena
deixa em paz a doce Lídia.

Cartas portuguesas


Cartas portuguesas

01. Senhora,
cá nesta capitania
de Pernambuco
foi vossa alteza
servida de enviar
mil flores de craveiros
mui rubras à terra chã.
Trouxe-as a dita nau
com o carregamento
dos escravos d'Angola.
Murcharam-se todas, eu sei
coas pétalas levadas
polo mar até Calicute;
por isso seja servida ordenar
que se procure presto
um caminho no além-mar
até o dito nosso reyno
afim de, por mercê,
vossos olhos contemplar.

Deos guarde-vos muitos anos...

02.  Senhor,
enviou-vos a dita nau
os cravos que vos mandei.
Estes, porém, perderam-se
aquém das águas bravias
desta Terra de Santa Cruz.
Lá não se passará sede,
não se naufraga junto aos peixes.
Portanto seja vossa mercê
descuidado em procurar
nos caminhos de ultramar
as ditas flores minhas.
Deixo mandadas enterrar
como uma memória formosa
que cá está a navegar
um caminho que até vós, senhor,
assim como está.

Que Deos guarde-vos sem prantos
nos certões deste lugar.

Obs: Algumas palavras tem grafia antiga.

Passar ferro

As engomadeiras - Degas


Parece-se a escrever
o ato de passar ferro
que aquela dona de casa
executa com esmero.

No varal ela recolhe
os panos limpos e secos
e por cima do seus ombros
vai levá-los para dentro.

Separa as roupas por ordem:
camisas, calças e meias.
Saias, leçois, bermudas
as fronhas do travesseiro.

Sem tardar ela inicia
a costumeira tarefa
de retirar os amações
dos panos que sobre a mesa.

Uma a uma as roupas ficam
em sua textura correta.
E a dona de casa sorri
dando-se por satisfeita.

Igual labor é a poesia
pra quem quer ser um poeta.
As ideias que nós temos
as levamos para a mesa,

corrigindo os desníveis
que talvez por lá estejam.
Dando um retoque cá ou lá
em cada parte do verso.

Não um trabalho de ourives,
nem tampouco de arquiteto,
mas o de dona de casa:
com suor, mas com afeto.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O que do amor (Haikai)


Do amor as flores
conheço até os espinhos
que protegem da dor...

Despedida



Quando te foste de mim estrada afora
não senti tristeza ou amargura n’alma.
Serena pousei-me na janela, calma
Entreguei-me ao fato de ires embora.

Não quis deter-me em fios e rastros
que se rasgariam de dor a qualquer hora,
alheia, deixo tecer-se com os fios de agora
o vazio no canto em que deixaste lastro.

Foi uma noite só, sereninha e poética.
A lua brilhava sem pedir estética
não pedia versos ou nada em melhora.

Foi assim que fui deitar-me no dia,
serena, mulher, entregue a calmaria
quando te foste de mim estrada afora.

Fotografia



Sou só luz a princípio,
um instante passado
um flash, botão, um clique.

Geralmente um sorriso
que a gente dá por dar
e pronto. Instante...

A luz que nos prende,
enclausurados no tempo
de repente... sou imagem.

Não importa como me sinta
depois que se forem as luzes
se tiver um sorriso
mesmo que seja falso
para sempre, naquela imagem

eu irei de estar alegre.

O tempo e os rastros (Monólogo em versos)

O TEMPO E OS RASTROS (Há uma senhora sentada, olhando para a plateia. Ela quer nos dizer algo, mas tem dúvida de como fazê-lo, plane...