domingo, 24 de julho de 2011

As quatro mãos


Eu faço

Tu desfazes,

Eu crio

Tu descrias,

Eu mexo

Tu paras,

Eu toco jazz

Tu bossa,

Eu digo isto

Tu aquilo...

Eu tremo

Tu ris,

Ás vezes choro,

Tu nada,

Eu quero sim,

Mas tu não...

Eu mando,

Tu obedeces...

E assim vamos


Não é confusão

É amor

Angústia


Angústia


Mãe, esta noite acordei confusa,

Com uma vontade louca de te abraçar,

Tive um medo danado, pensei que lá fora

Os barulhos se misturavam à embriaguez.


Mãe, será que tudo está bem?

Será que não nos esqueceram de novo?

Ontem à noite te vi chorando, fiquei pensando

Por que será que sofremos tanto assim?


Mãe, esta noite tive medo do escuro.

Lá fora os barulhos se misturaram

E embriagaram nossa lucidez.

Será que realmente tudo esta bem, mãe?


Por que nesse jogo de faz de conta

Perdemos a conta de quantas vezes

Não nos fizeram conta... se foram?

Por que tudo é tão tenebroso?


Mãe, posso te dar um abraço?

Neste mundo só temos uma à outra.

E que queria que você soubesse

O quanto é difícil pra mim saber disso.


Lá fora as sirenes soam tão alto

Que me esqueço que ao seu lado

Tudo é mais seguro, apesar de frágil.

Mãe, será que eles arrombarão a porta?


Será que vão bater na senhora de novo

Com seus olhares em fúria, olhos em chamas?

Será que vão nos deixar dormir esta noite,

Será que seremos felizes só hoje?


Deixa eu enxugar suas lágrimas,

Deixa eu ninar a senhora,

Tem muita gente lá fora

E aqui é bem seguro, mãe.


Deixa sua menina cantar,

Deixa que aqui é seu lugar,

As sirenes soam alto, muito alto,

Mas ainda temos força pra sonhar.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Poema intimista


Um poema intimista

É um sair da realidade
na realidade...
É um ver-se fora
estando dentro,
é um conhecer de si,
já conhecendo,
é como um dar-se toda,
dividindo-se em partes.

Um poema intimista
é ver-se a si mesma,
não sabendo o quanto
se almeja estar ali...
Se bem o estejamos
Há muito tempo...

Por que escrevê-lo?
Todo poema,
por mais intimista que fosse
é uma doação,
vem de nós
mas não pra nós.
Que interessa aos outros
a vida alheia?
No entanto tantos
gostam ler poemas intimistas
que mais parece
um convite adentro
de nossa sala de estar,
de nossos cômodos,
banheiros, lixeiros,
guarda roupas, gavetas.

Por que o ler?
Que lhes importa
saber da Sophya
menina franzina
de outrora, moça feita agora?
Que lhes importa saber
das salas, corredores e quartos
do coração de uma jovem?

O leem porque todo texto
É um convite a estar nele,
o leem porque estando nele
se busca um sentido,
o leem porque se o há,
esse sentido,
alguém fala:
“Nossa, que belo
Que mimo de poema”
E se não é por nada disso,
O leem só porque as palavras
tem um som bonito.

Mais uma vez
Me dispo de mim mesma,

O que cê tá fazendo da vida, Sophya?



domingo, 17 de julho de 2011

Banco de praça


Onde estavas

Quando o verso calou-se?

Onde estavas

Quando o sono tomou-me?

Onde estavas

Quando era forte a agonia?

E quando não havia poesia

Onde estavas?


Onde estavas

Quando chamei o teu nome?

Onde estavas

Quando quis teu perfume?

Onde estavas

Quando os sentidos pararam

E eu perdi a fome

A vontade de viver

E os sentimentos?

Onde estavas?


Onde estás

Se te quero agora?

Onde estás

Se não te tenho?

Onde estás

Se ainda te quero

Se ainda te espero

Num duro banco de praça?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A caixa de chocolates


Presente sem mais surpresa
É a caixa de chocolates
Mas que ao vê-la tu sentes
tal alegria quando a abres

Mesmo quando já saibas
O que ‘stá detrás do lacre,
Ainda que desse sabor
Já não tenhas novidade.

Para ti é uma surpresa
tal, receber chocolates,
e quem dá mais se alegra
Pelo sorriso que abres

Pois quem olha não duvida
Que é sorriso de verdade
Vem de dentro para fora
E de toda tua vontade.

Daí ser sempre um gosto
Presentear-te chocolates
É tanto mais pelo prazer
De poder fazer parte

Dessa beleza que possuis
Nesse teu sorriso largo
Que é assim tão singelo
Que só resta provoca-lo.

O tempo e os rastros (Monólogo em versos)

O TEMPO E OS RASTROS (Há uma senhora sentada, olhando para a plateia. Ela quer nos dizer algo, mas tem dúvida de como fazê-lo, plane...